Nos últimos dias desse mês, acabei esquecendo a época de exames da Universidade para, pela primeira vez, em muito tempo, correr atrás dos sites de notícias. Gente nas ruas, assim, de repente, sem nenhum aviso prévio. E, por gente, não digo uma meia dúzia de gatos pingados, mas uma onda gigantesca, uma movimentação de brilhar os olhos e bater o coração. Um povo que quer fazer a diferença, um povo que quer alguma melhoria; um povo tão criticado pela passividade, pela aceitação de tudo o que lhes fosse imposto, pela alienação segurando faixas e, pela primeira vez em muito, mas muito tempo, gritando "basta".
Não sei como tudo isso se desenvolveu no Brasil, mas para mim foi como uma bomba de efeito moral - uma destas deve ter chegado até o meu apartamento, pelo erro de alguns milhares de quilômetros de um policial: de repente, o que era magnífico já não era mais. E, com a grandeza, a manifestação perdeu o foco. E veio o medo de uma massa em movimento que não sabia para onde estava indo.
A transformação tão rápida disso tudo, que nem a internet conseguiu acompanhar, me deixou feito barata tonta, e eu, que digo que não gosto de ler opiniões alheias sobre qualquer coisa, para que possa formar uma minha, partindo dos meus conhecimentos, meus conceitos e minhas sinapses, me vi perdido em blogs de opinião, em conversas sobre o assunto. Não tinha tempo para formar uma opinião que chamasse de minha, mas o problema não era só esse: não tenho informação histórica nem educação política para tanto. Eu, provavelmente você e quase todas essas pessoas que resolveram - ainda bem! - que era hora de levantar das suas cadeiras.
E daí me veio a urgência de ler, estudar, desenvolver, desenrolar e tomar partido em meio a tanto assunto que eu nunca meti o bedelho. Desbravar campos e conhecimentos novos depois de tanto tempo em meio a números, lógicas e programas de computador. Me veio a urgência de utilizar esta etapa da minha vida para formar-me não só como Bacharel, mas também como cidadão brasileiro.
Pra isso, preciso de mais gente interessada. Gente que queira, também, aprender, conversar, discutir, opinar. E, pra isso, o espaço não tem muita frescura: é o conhecimento, é a opinião, nua e crua. Sem belezas, sem distrações.

Nenhum comentário:
Postar um comentário